Estranhos: Medo Sombrio
Capítulo - 02
Isso era loucura, não podia ser... Fechei a janela e a travei, Quem era ele? O que queria comigo? Não queria assustar meu pai, muito menos queria que ele pensasse que estava ficando louco, provavelmente ele iria dizer que estava imaginando coisas e que era paranóia, me enrolei no cobertor e não queria pensar que ele não era real, este garoto tinha que ser real e não um espírito, Não, não era espírito, era humano e queria alguma coisa, tentei não pensar em nada, mas parecia pior. Levantei e fui olhar novamente para ver se ele estava lá, mas por incrível que pareça ele havia sumido, respirei fundo e voltei para cama. A noite se foi, e quando amanheceu tomei um banho frio para tirar a preguiça e espertar, pois passei mais uma noite admirando a minha bela janela. Quando desci as escadas meu pai estava na mesa tomando café.
−Bom dia pai.
−Bom dia Ben, seu rosto está ótimo, para quem não dormiu de novo. Meu pai me encarou e virei o rosto. –Tem algo para me contar? Por algum motivo você não esta dormindo então qual seria?
−Ainda não me acostumei ao meu novo quarto. Só isso. Eu já estava acostumado a mentir para ele, e acho que ele não havia percebido nada, o garoto provavelmente não aparecera para ele, então não adiantava contar algo que nem eu sabia se era verdadeiro.
No segundo dia de aula ao chegar ao colégio eu não estava, mas sendo o centro das atenções depois do acontecido de ontem. “Ainda bem” Suspirei. De longe vi dois do grupo de estranhos de ontem conversando com o grupo de jogadores do colégio, virei o rosto e continuei a caminhar até a sala 04 onde seria minha primeira aula.
−Ei! Alguém me chamava? Não reconheci a voz e me virei rapidamente. –Espera ai! Gritou de novo, meu coração acelerou, era o garoto de ontem que foi ignorante comigo. “O que ele queria?” Parei e respirei fundo. – Oi... É... Queria eu pedir por ontem... Desculpas. Falou se interrompendo nas palavras.
−O quê? Eu estava confuso.
−Desculpa por ontem. É isso. Ele Suspirou. –Sou novo nesse lance de desculpas. Ele fez careta.
−Não se preocupe, já tinha esquecido. Menti.
−Meu nome é Berg e o seu Ben certo?
−Ben, isso mesmo. Quando olhei de lado os outros cinco integrantes do grupo vinham em nossa direção. −Estou indo para sala. Falei baixando a cabeça.
−Espera! Quero te apresentar meus amigos. Esperei. −Oi pessoal, este é Ben. Falou Berg sorrindo.
−Oi sou July. Disse à garota que me defendeu do Berg ontem, como o Kaique disse, ela é linda. Não consegui responder, pois me encantei com seu jeito de olhar, senti meu coração acelerar, então tirei os olhos dela rapidamente.
−Oi pessoal. Acenei para todos.
−Ben, Estes são Hugo, Lyan, Tom e Dêssa. Falou Berg apontando para cada um. Hugo tinha um cabelo preto com um corte diferente e seus olhos também eram pretos, Lyan era Loiro dos olhos verdes parecia com July, deveriam ser irmãos, Tom tinha o cabelo espetado e seus olhos eram um verde com castanhos amarelado e Dêssa tinha cabelo preto escuro e olhos claros. Todos acenaram.
−Se a gente puder ajudar você Ben em qualquer coisa, é só falar. Disse o Lyan acho que se chamava assim.
−Obrigado. Sorri. Eles pareciam legais e não ignorantes e chatos quanto eu imaginava.
−Vamos entrar pessoal. Disse um professor que não conhecia.
−Se eu fosse você, sentaria lá atrás esse professor é um pé no saco. Falou Hugo.
−Se quiser dar uma passadinha na nossa mesa hoje, pode ficar a vontade. Disse July, abrindo um belo sorriso.
−Pode deixar. Pareci confuso.
−Estaremos Esperando por você. Disse ela por fim.
−Está certo. Sorri.
Entrei na sala e tomei o conselho do Hugo e sentei na penúltima carteira, acenei para Liza e o Kaique e fiz um gesto de “Quero falar com vocês depois” Eles sorriram e comecei a prestar atenção na aula. Ele era professor de Educação física, começou a falar de ossos e já estava cansado desse assunto. Na antiga escola o professor nos fez decorar quase todos os nomes dos ossos do corpo, quando parou foi para chamar a atenção de uma novata que estava do outro lado da sala, ela se apresentou pra turma e virei para o outro garoto. Ele me olhava fixamente, seus olhos eram um preto bem escuro e aquele olhar parecia familiar, mas não sabia de onde, o professor chamou sua atenção mais ele não parava de me olhar, senti minha mente rodar, fiquei zonzo, coloquei a mão na cabeça e fechei os olhos.
−Se apresente para sala, como sua prima fez. Falou o Professor Wilson virei à cabeça e olhei novamente para o garoto. –Henrique. Esse é meu nome. Ficou em pé e sentou-se na mesma hora.
−Então você é tímido, certo? Ele estava com a cabeça baixa. –Quero ver por quanto tempo. O Professor pegou pesado com ele, não era, mas fácil ele me mandar ser o próximo a se apresentar, como Hugo disse ele já estava sendo um “Pé no saco”. O professor Wilson murmurou algo que não escutei e nessa hora o novato levantou a cabeça e encarou o professor.
−Ai! Virei - me e olhei para o professor Wilson que gritou e colocou a mão na cabeça, todos se levantaram quando ele se ajoelhou no chão de tanta dor, tentava gritar, mas não conseguia em seguida ele caiu no chão e todos foram em cima, nessa hora começou a gritaria nos corredores, olhei de lado e os dois novatos discutiam e a garota estava alterada, eles olharam pra mim ao mesmo tempo, ignorei os olhares e sai em direção à multidão que se formava entre o professor.
Depois do incidente ele foi levado para enfermaria e uma professora de inglês entrou na sala, não prestei muita atenção, mas escrevi o que ela passou no quadro, achei muito estranho o que aconteceu com professor Wilson, olhei para o outro lado e vi que o novato novamente estava olhando balancei a cabeça e o sinal soou, levantei e fui até meus novos amigos Liza e Kah.
−Oi Liza, oi Kaique. Eles sorriram.
−Oi Ben, que loucura hoje não acha. Comentou Liza comigo.
−Coitado do professor Wilson. Disse Kaique.
−Gente ele caiu no chão de tanta dor, nossa! Eu não tinha palavras para descrever a reação do professor, mas tinha certeza que a dor que ele sentiu, foi algo que nunca tinha visto antes.
−Agora tem três novatos de outra cidade na nossa sala, o Preparatório High School está evoluindo. Brincou Liza.
−O garoto é estranho, tem algo nele que não sei explicar o que é. Ele passou a aula toda me olhando. Eu tinha que falar, eles agora eram meus amigos.
−Sério? Falou Liza.
−Todas as vezes que olhava ele estava me encarando.
−Quando olhei para ele, ele estava olhando para você, mas não percebi nada estranho. Comentou Kaique e ao mesmo tempo ele e Liza se encaravam. Olhamos para o novato e ele novamente me encarava.
−Vamos sair daqui. Falei. Liza e Kah se levantaram e fomos para o pátio.
−Ben, o que você queria falar, quando chegou? Disse Kaique. Depois de todo aquele ocorrido na sala, tinha esquecido completamente do que acontecera quando cheguei ao colégio.
−Vocês não sabem quem veio me pedir desculpas hoje. Acho que eles nunca iriam dizer que o Berg teria me pedido desculpas. Ri comigo mesmo, pensando na hora que ele se atrapalhou nas palavras.
−Quem? Liza pareceu curiosa.
−Berg! O Berg te pediu desculpas! O Kaique pareceu incrédulo, como ele adivinhou tão rápido?
−Isso mesmo, quando eu vinha para sala hoje de manhã ele me chamou e pediu desculpas, até July me chamou para ficar com eles hoje no pátio.
−Nossa! Espantou-se Liza.
−Que estranho. Falou Kaique.
−Estranho o que? Perguntei confuso.
−Nada, é coisa da minha cabeça. Falou rapidamente.
−Não liga o Kah é assim mesmo, maluco. Disse Liza e nós dois rimos.
−Ben, você vai falar com eles? Perguntou Kaique.
−Não sei, mas acho que vou sim, eles pareceram legais comigo.
−No começo é sempre assim, depois você realmente conhece quem são eles de verdade. Kaique pareceu sério.
−Por que você está falando isso? Perguntei sem entender onde ele queria chegar com aquilo.
−Promete uma coisa? O tom de voz dele havia mudado.
−Estou ouvindo.
−Não seja amigo deles. O Kaique me encarava. –Promete que não vai se juntar a eles. Eu estava confuso novamente por que o Kaique me pediu isso? Por que não podia me juntar a eles? Desde que cheguei aqui minha mente só tem interrogações, dúvidas que ninguém me responde e que ficam martelando em minha mente direto. Olhei para os estranhos que estavam do outro lado do pátio, eles me olharam e acenaram, virei para o Kaique e respondi o que realmente ele não queria ouvir.
−Não posso prometer algo, que sei que não vou cumprir.
−Eu temia que você dissesse isso. Ele baixo a cabeça e saiu.
−Kaique! Chamou Liza, mas ele não olhou e seguiu em frente.
−Liza, qual é o problema de sentar com os estranhos? Eu estava mal por ver o Kaique daquele jeito, não sabia o que acontecera para ele ficar assim, mas acho que ele não estava disposto a falar sobre o assunto.
−Ele não gosta deles, só isso.
−Não vou querer saber a verdade por você e sim por ele, sei que tem algo que ele não quer contar e não vou pressionar. Fui sincero, eu sabia que tinha algo por trás dessa raiva do Kah pelos estranhos, mas ia esperar o momento certo, onde ele mesmo contaria.
−Obrigado Ben. Ela me abraçou bem forte.
Nas últimas aulas o professor de biologia passou uma revisão de sistema circulatório. A aula estava um saco, duas aulas pareceram dez. Acho que eu estava com a cabeça em outro lugar, esses dois dias no Preparatório High School foram bem malucos, cheios de mistérios, dúvidas que eu não conseguia responder, mas não havia só a escola, minha nova casa, minha nova cidade, meus novos amigos, tudo se relacionava a uma pessoa só. Eu. Parei de pensar um pouco e prestei atenção na aula.
−O som dos batimentos cardíacos é produzido pelo fechamento das válvulas depois que o sangue passa por elas. Alguém sabe me dizer como se chama o aparelho que nos permite ouvir os sons produzidos no coração? O professor olhou para todos.
−Estetoscópio. Virei e vi que o Henrique havia respondido ele me olhou e continuou. –O médico é capaz de perceber ruídos anormais, chamados sopros cardíacos.
−Exatamente. O professor pareceu satisfeito. –Estou gostando de ver, alunos bem informados.
Quando soou o sinal, guardei meus livros na mochila e fui falar com Kaique, não queria que ficássemos distantes depois da nossa conversa pela manhã.
−Kaique, posso falar com você?
−Não esquenta, não fiquei chateado.
− Sei que tem alguma coisa que você não quer me contar.
−Ben, eles não são confiáveis. Ele baixou a cabeça.
−Kaique, me dê um motivo e prometo que não vou mais falar com eles. Eu sabia que tinha algo que ele não queria me contar, com medo que contasse para alguém, mas eu nunca faria isso.
− Eles são assassinos!
−O que? Assassinos! Você está brincando não é. Como ele poderia falar uma coisa dessas, acusar os garotos de assassinos! Isso era loucura.
−Sabia que você não ia acreditar em mim. Por mais que eu achasse que isso era mentira, o olhar do Kah mostrava verdade, não parecia mentira o que ele estava dizendo. Mas não podia ser! Eles tinham 16, 17 anos. Como podiam matar pessoas. July assassina? Não, não podia ser o Berg era ignorante, mas não acho que ele faria isso.
−Isso é loucura! Suspirei e continuei. –Desculpa Kaique, mas acho que quem é o estranho é você, não eles. Se eles fossem assassinos, por que o Kaique não contara para todos. Se isso fosse verdade nem ele mesmo estaria estudando aqui, do lado de assassinos.
−Seria tão mais fácil você me entender e não se envolver com eles.
−Desculpa Kah, tenho que ir. Virei e segui, todos já haviam ido embora e eu não sabia o que pensar ou falar, tudo que o Kah me falou parecia verdade, mas eu não conseguia acreditar. Tentei não pensar nisso. Mas novamente me passou outras perguntas na minha cabeça, como já era de se esperar. Quem era aquele novato? Por que olhara tanto para mim hoje, sabia que aquele olhar era conhecido, mas de onde? E porque os estranhos falaram comigo hoje, como Kaique disse eles só falam um oi e só conversavam quando gostava das pessoas, então o que viram de mim? Ao chegar em casa teria mais perguntas e perguntas, então quando eu teria respostas? A única maneira de saber as respostas era falando com as pessoas que sabem e estão nelas, então amanhã falaria com os estranhos sim, quem sabe eu não me tornaria o sétimo integrante do grupo.
Pela manhã o sol estava clareando todo quarto, meu pai tivera que sair cedo e eu iria de táxi. Sai um pouco mais tarde, com Elaide que me acordou quando chegou. Tomei banho, escovei os dentes, peguei minha mochila e sai às pressas. Dentro do táxi fiquei pensando no que falar para os estranhos, hoje as coisas seriam diferentes depois da conversa que tivera com Kah, nossa amizade provavelmente não seria a mesma e Liza ficaria do lado dele, os dois pareciam se gostar. –Eu não me importo na minha antiga cidade às coisas sempre foram assim, se escolher um, os outros deixavam de falar com você.
Quando cheguei ao colégio, parecia que havia um muro em que teria que pular, mas se pulasse não poderia voltar. Fui direto para sala, ao chegar acenei para os estranhos, olhei para o lado e vi que o novato Henrique me encarava, seus olhos negros e o cabelo era um preto que parecia tingido, sua cor era moreno claro, aquele olhar eu sabia que já tinha visto em algum lugar, mas onde? Sentei em minha carteira e prestei atenção no que o professor dizia. Assim que acabaram as duas primeiras aulas, tivemos mais duas de literatura e quando o sinal soou para o intervalo, os estranhos saíram rapidamente e a novata, prima do garoto estranho saiu logo em seguida, como se tivesse seguindo eles. Liza parou em minha frente e Kaique chegou em seguida.
−Oi Ben. Disseram eles ao mesmo tempo.
−Oi. Fui um pouco arrogante.
−Ben, me desculpa por ontem, eu falei besteira. Kaique baixou a cabeça.
−Não se preocupe, nem lembro mais do que você falou. Sorri.
−Posso te dar um abraço? Perguntou.
−Claro que sim. Levantei e os dois me abraçaram. Vi que o Henrique passou rápido que pareceu um vulto, os meninos não perceberam, mas aquele garoto tinha algo muito estranho que dava medo, só de imaginar o que era.
Passei a manhã conversando com Liza e Kah, contamos nossa infância, os micos e músicas que escutávamos que hoje ninguém lembra mais, foi muito divertido e percebi que os dois eram com certeza meus amigos e que nada poderia abalar essa nova amizade. Na saída me despedir deles e fiquei esperando que um táxi passasse, percebi que tinha esquecido por completo de falar com os estranhos hoje. Sentei no banco e vi vários alunos saindo da escola, uns iam a pé outros vinham à parada esperar o ônibus e os mais velhos iam seus carros. De repente em segundos meus olhos desviaram – se para frente, o garoto que me observara no colégio ontem e hoje, o estranho estava em minha frente me encarando com seus olhos sombrios, pretos e arrepiantes, desviei o olhar e olhei novamente e ele ainda continuava a encarar, não consegui distinguir aqueles olhos e por que estava olhando assim tão “estranho.” Fui tomado por uma angustia imensa, paralisado sem mover um dedo, só aquela imagem dos seus olhos vinha em minha mente, foi ai que percebi que conhecia aquele olhar. E por um segundo caiu à ficha, era ele o garoto da árvore, o estranho que rondava minha casa, o cara de quem eu tinha medo todas as noites que chegara a esta cidade, o novato da sala era o estranho que me visitava nas horas que mais tinha medo naquela casa. Não sei o que senti naquela hora, só senti meu coração gelar e uma dor no corpo muito forte, ainda estava paralisado quando ouvi alguém chamar, me levantei cambaleando a procura da pessoa que me chamara. Agora fui tomado por um medo obscuro que me fazia tremer a cada segundo que a mesma imagem vinha em minha mente, fechei os olhos e sentei novamente. Precisava de alguém, de um amigo porque as pessoas não chegavam a mim para perguntar o que eu tava sentindo? O que eu estava sentindo era Real? Levantei o rosto e ele vinha em minha direção, tentei gritar, pedir ajuda mais não conseguia nem abrir a boca, quando percebi, lá estava ele do meu lado.
− Não está se sentindo bem? Falou.
− Minha cabeça, meu corpo...
− Vem comigo Ben. Ele segurou meu braço e saiu me levando em direção do matagal que havia em frente ao Preparatório high school.
− Onde estamos indo? Eu estava confuso.
− Ben, está na hora de você saber algumas verdades que existe em nosso mundo!
Adorei esse final... tipo... fim e vc não vai saber até o próximo capítulo hahaha
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